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Nas ruas
Data 08 de março de 2010
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   Setecentas e cinqüenta mulheres, segundo estimativas da Polícia Militar de Minas Gerais, fizeram um ato unificado de protesto e passeata, na região Sul e Centro de Belo Horizonte para celebrar o Centenário do Dia  Internacional da Mulher – 8 de Março, reunindo mais de 50 entidades representativas de movimentos sociais. A manifestação, caracterizada por denúncias contra a violência diária – em especial a sexual – foi marcada por um caixão com fotos e por cruzes com nomes das vítimas do serial killer de Contagem, o maníaco Marcos Antunes Trigueiro.  

O ato teve início com uma concentração na Praça da Assembléia Legislativa onde há três dias estavam acampadas mulheres da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Jequitaí, no Norte do Estado. A elas se juntaram representantes de Sem-Casa e Sem-Terra da Ocupação Dandara, do acampamento Camilo Torres e ainda representantes da União Brasileira de Mulheres (UBM); do Movimento Popular da Mulher (MPM); do Fórum Social Mundial (FSM), de partidos políticos; centrais de trabalhadores; sindicatos e entidades classistas, organizações não-governamentais (ONGs), entre outros.

 Tropa de Choque 

  Da Praça da Assembléia, as manifestantes seguiram em passeata, até o Ministério Público do Estado, onde entregaram um documento reivindicando do procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, a implantação do Juizado Especial da Mulher e os demais suportes necessários à integral assistência às vítima de violência.   Gritando palavras de ordem contra os juros altos, a redução do contingente de trabalhadores das instituições bancárias; as manifestantes também protestaram defronte à sede do Banco Central, criticando a “sanha arrecadatória”. Mulheres acorrentadas, também representando a repressão além da violência que se abateu sobre as grandes cidades foram a tônica.  

Na porta de um supermercado multinacional, as mulheres protestaram contra os altos preços praticados; a falta de incentivo e de apoio à produção familiar; o avanço dos grandes conglomerados, reduzindo o mercado às empresas nacionais. A concentração de manifestantes fez com que a Tropa de Choque da Polícia Militar se posicionasse na frente do estabelecimento, que acabou fechando as portas, até que elas seguissem rumo à avenida Afonso Pena.

  Depois de uma parada na porta da Prefeitura, onde reivindicaram políticas públicas efetivas para as mulheres e ganharam a adesão de sindicalistas e trabalhadores municipais que protestavam por melhores salários e condições de trabalho, principalmente nos postos de Saúde, as manifestantes seguiram para a Praça Sete.  No quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro, um grupo de mulheres representantes de várias entidades e segmentos sociais, protestava desde o início da tarde. Também distribuíam rosas, vasinhos de flores e mensagens às mulheres conclamando-as à organização por avanços.

A Internacional

  Caminhando pela contramão da avenida Afonso Pena, com faixas, cartazes, bandeiras, cruzes, bonecas, e sustentadas por um carro de som, as mulheres chegaram na Praça Sete cantando o Hino da Internacional Socialista, sendo ovacionadas pelas manifestantes que já estavam no espaço. O trânsito ficou caótico e muitos populares se somaram ao protesto.

A contadora Ana da Silva Dagoberto Freitas, 37 anos, com três sacolas cheias de compras, foi uma delas. Se disse emocionada: “São muitas mulheres pobres, do campo, que estão aqui dando o exemplo. Isto nos faz pensar: Esta é a única forma de as mulheres conquistarem seus direitos. Tem que ir para a rua mesmo!”, afirmou. Embora revelasse que não conhece muito bem a Lei Maria da Penha, de uma coisa ela tem certeza; a legislação “põe na cadeia o homem violento. E isso já é um grande avanço”, pontuou.  

Com a mão ferida e coberta por um curativo, Marili Zacarias, da coordenação da Via Campesina, apesar de bastante cansada avaliou como vitorioso o movimento deflagrado pelas mulheres em seu dia. “Viajamos por vários dias, mas valeu a pena. Temos de demarcar nosso espaço e lutar por nossa causa. Estão ouvindo nosso grito”, sintetizou. 

Foto: Pedro Leão 

Mulheres tomam as ruas de Belo Horizonte  

 

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